domingo, 12 de outubro de 2008

VAMOS FALAR DE PIQUET

Assisti a este comercial super bacana da Guinnes e me lembrei de Nelson Ângelo Piquet. Então vou falar dele. Ou melhor, da situação chata que vive aquele garoto baixinho de capacete grande que conheci há anos no Kartódromo da Granja Viana.

Lembro de ter visto ele perguntado ou reclamando de alguma coisa para um comissário da pista junto com outros pequenos pilotos, que permaneciam quietos. Logo pensei: Iiiii, puxou o pai. Mas naquela época, eu mal conhecia o automobilismo que conheço hoje.

Tenho uma foto dele feita naquele dia, com minha antiga câmera Cannon bastante caseira que não funciona mais. E esta foto serviu para minha primeira publicação de matéria em um jornalzinho tablóide mixuruca que era distribuído em algumas escolas de São Paulo, chamado Teen News (ou algo parecido).

Bem... vi o garoto crescer e correr muito bem. Até que rolou uma decisão do campeonato brasileiro de kart qual eu não pude participar da cobertura das provas. Um jornalista me disse, uma semana depois, que o “Nelsinho” havia usado uma vela de sete dias no motor para ganhar o campeonato. Resumindo, os mecânicos burlaram as regras para faze-lo vencer.

Se isto aconteceu ou não, eu não sei. Só sei que quando ele começou a aparecer por aí, entre categorias de base, Fórmulas 3, e tudo mais, o rapaz deu pinta de bom de braço. E todas as entrevistas e bate-papos que tivemos neste caminho foram sempre muito bacanas e atenciosos, mas sempre notei algo que muita gente também parece ter notado: Apesar do Nelson (pai) sempre se emocionar com a cria ao ver o filho crescer e chegar lá onde ele queria, nunca, de certa forma, ficou paparicando o moleque. Parecia mais descarregar dicas ao filho piloto do que dar o sobrenome a torcer. E uma das coisas que “Nelsinho” absorveu muito bem foi a jogada de correr em tudo que era carro para aprender, aprender e aprender cada vez mais.

Nelson Ângelo estreou no kart, participou de provas de turismo, andou de Porsche na Europa como convidado especial, venceu na Fórmula 3 Sulamericana, Fórmula 3 Inglesa, A1GP, GP2 e agora está na Fórmula 1. Sentiu cada modelo, cada passo difícil de entender o jogo financeiro que há por trás de tudo isso e chegou lá.

Minha única entrevista realmente exclusiva com o pai tricampeão aconteceu pouco antes da largada da primeira participação do filho na 1000 Milhas brasileiras, em Interlagos. “Ele só veio conhecer a pista”. Assim nu e cru, querendo, mais uma vez, ver o filho aprender.

Para quem não sabe, “Nelsinho” chegou a assinar um longo contrato com a equipe Williams, antes mesmo de começar a fazer seu nome na Europa. Mas depois, sem entender muito bem, ele não pintou por ali como piloto oficial. Talvez porque o contrato fosse tão longo quanto à decadência atual do time inglês.

Ironicamente, Keke Rosberg, pai de Niko – piloto da Williams – soltou esta frase para um jornal alemão recentemente que deixou ainda mais polêmica a atual fase do piloto brasileiro: "Alguma coisa está errada por lá, pois parece que Piquet não consegue buscar nada. Alguém como ele, que foi tão bem na GP2, precisava fazer mais. Não consigo entender o que acontece.
Memória curta

Ás vezes a memória parece curta perante os noticiários que mudam a cada minuto, a cada hora e a cada dia por aí. E ficou no ar alguns fatos que parecem ter perdido importância.
Mas basta relembrar a prova de Magny-Cours, na França, para reativar um pouco do “banho” que “Nelsinho” deu em Alonso. Basta também relembrar que as coisas ficaram realmente pesadas para Piquet logo depois de seu primeiro pódio na F1, no GP da Alemanha, quando Alonso ainda choramingava com o carro “ruim” da Renault.Tudo muito estranho, mas tudo muito claro também. Aliás, sabemos que ele é o segundo piloto do time francês.

Fato é que o companheiro do piloto brasileiro venceu novamente esta noite em Fuji, depois de uma corrida bem bacana. Mas os méritos para Nelson Ângelo – quarto colocado na prova de hoje - não podem acabar assim, numa geladeira aguardando alguém abrir para contrata-lo quando o abandono da Renault deve ser anunciado em breve.

sábado, 11 de outubro de 2008

BMW PELA PRIMEIRA VEZ EM INTERLAGOS

Interlagos vai receber pela primeira vez, durante as provas preliminares para o GP Brasil, os carros da Fórmula BMW. Categoria que de uns anos pra cá substitui o legado “Renault Scolarship” para assumir O importante papel no quesito técnico a jovens pilotos.

A apresentação em São Paulo será da divisão norte-americana da categoria, onde três brazucas andam por ali - Ricardo Favoretto, Alexandre Ruiz e Giancarlo Vilarinho.

Aproveitando o gancho, entrevistei dias atrás o compatriota Pedro Bianchini, que também é piloto da Fórmula BMW, porém na divisão européia, qual defende a “verde-amarela” com Tiago Geromini.

Antes da entrevista, me lembrei do dia em que ele recebia seu prêmio em uma das edições do Capacete de Ouro, evento anual da Revista Racing. Ainda muito pequeno, o garoto deu um exemplão de humildade sobre o palco, com postura de gente grande. E hoje, mesmo ainda muito jovem, o garoto tem aquela pinta de caras que dão certo. Até porque, tem um búfalo vermelhinho como apoio direto em sua carreira. E este apoio começou lá atrás, como ele próprio diz:

“Foi muito cedo. Estreei no kart com oito anos de idade, antes de me tornar campão brasileiro, tetracampeão paulista, campeão pan americano de kart, tetracampeão paranaense; tetra sul-brasileiro e tricampeão da copa Brasil. Logo depois fui convidado para participar de corridas de kart na Alemanha em 2005. Ali, consegui ganhar duas das quatro provas que disputei. A partir daí, Redbull internacional me colocou no programa deles”.

Sobre o carro: “Com certeza é um carro difícil de guiar, pois não tem muita força fazendo com que o piloto tenha de controlar sua velocidade de entrada nasa curvas para não perder na saída. E qualquer erro que o piloto acaba cometendo perde-se muito tempo”.
Hoje: “Depois de vencer a seletiva da BMW Scolarship em 2006 fui chamado para ser RedBull Junior Team. Logo em seguida me colocaram na Formula BMW e lá estou”.

Interlagos: “Acho muito bom ter a prova como preliminar da Fórmula 1. É uma chance para os pilotos brasileiros verem como é a categoria e também para aqueles que participam, pois estarão de frente aos chefões da maior categoria.

Futuro: “A Redbull está apostando em mim desde que eu comecei. Mas não tenho como falar o que vai acontecer daqui a diante. Porém é claro que espero ter este apoio comigo até conquistar meu grande sonho, que é chegar a Fórmula 1.

Se depender da minha torcida, em particular, logo mais seu nome estará em alta.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

TODOS PREFEREM SUZUKA

Em uma conversa amigável com Ricardo Maurício junto ao guard-rail do “S” do Senna em Interlagos numa tarde qualquer de 2004, pude entender o verdadeiro “ar” que Suzuka promove aos pilotos do mundo inteiro.

Na época, já como piloto de Stock Car aqui no Brasil, Ricardo era colunista da revista Grand Prix, qual eu respondia pelo cargo de editor-chefe. E neste bate-papo lá em Interlagos perguntei a ele qual o circuito mais interessante, mais emocionante ou mais cruel que ele já havia percorrido durante os anos em que morou e correu pela Europa nas Fórmulas 3 e 3000 Internacional. Imaginava eu que, sem pensar muito, ele responderia Spa-Francorchamps, o circuito belga mágico em que todo mundo sabe que é mesmo SUPER! Mas, sua resposta foi quase direta. “Spa - disse ele – mas porque eu ainda não andei em Suzuka”.

Interessante notar que, apesar de “antigão” para os novos padrões que a Fórmula 1 hoje exige das pistas por onde passa, Suzuka continua ser reverenciado. Eu, apesar de não ser piloto, adoro seu traçado, suas saídas de curva e sua tradição memorável.

Uma outra nota a registrar partiu do piloto alemão Nick Heidfeld semana passada, ao dizer que torcia por um bom tempo no novo circuito de Fuji, onde será disputada a etapa nipônica no próximo domingo. Pois, chover como choveu em 2007, ano que em estreou suas novas estruturas para substituir Suzuka no calendário, seria péssimo. E no final de sua entrevista, a glória: “No entanto, ainda considero Suzuka a minha pista favorita".

Os campeonatos japoneses de fórmula e turismo ainda rolam bastante por ali. E pelo que sei, o circuito está passando por algumas reformas interessantes para voltar a receber a Fórmula 1 em breve, porém com outro nome de GP no calendário.

Outro que sinto falta, apesar das trágicas lembranças, é Ímola! E vocês?

sábado, 4 de outubro de 2008

DELICADAS MUDANÇAS

Há tempos, li através de um relatório fornecido pela antiga equipe Tyrrell, qual Reginaldo Leme, em uma tentativa de promover uma revista em CdRom, publicou na íntegra o lance financeiro que rolava na Fórmula 1.

Sem tocar nos detalhes, havia uma distribuição mais ou menos assim: A equipe vencedora do GP ganhava uma nota preta e o piloto, parte deste pacote. O segundo lugar na corrida garantia uma quantia um pouco menor e assim por diante. Mas no final do campeonato é que as coisas se acertavam e sobravam, para os “pobres” como a Minardi (naquela época) ainda menos recursos para se manter na categoria. Tudo por que a distribuição financeira era feita somente para os dez primeiros pilotos na pontuação final do campeonato mundial e suas respectivas equipes. Quem mal pontuava, tinha de se virar para continuar como time da categoria, que, aliás, nem mesmo apoio para transportar os equipamentos de um circuito ao outro existia.

Agora parece que as coisas vão mudar, através de uma iniciativa da FOM (Formula One Management) em dividir, por igual, os 500 mil dólares de direitos comerciais para todos os times do clube.

Notícia positiva, porém acho que a categoria gera mais dinheiro do que devia. Tudo bem que a Formula 1 deixou para trás seu tempo de óleo e graxa para se tornar fina entre as marcas mais cobiçadas do planeta e pilotos limpinhos dentro do carro. Nada contra, afinal, ter um posicionamento líder em seu nome. Mas a grana, como todo mundo já sabe, estraga tudo e tudo vira uma grande mentira.

Haja visto o “erro” obrigatório de Hamilton no GP Brasil para dar de presente o título à Raikkonnen (tradução: Ferrari) durante todo aquele lance de multas pesadas sobre a Mclaren em 2007. Uma grande mentira, porém pequena perante tantas outras que a Fórmula 1 já aprontou.

E essa distribuição de igual para igual pode não ser, também, interessante. Já que times como Williams e Honda, apesar de tradicionais, estão girando em falso para se manter na Fórmula 1. Assim, poderão ser discretamente comprados neste acordo para apertar um botãozinho de neutro vez em quando.

Sei de gente que não gosta quando eu digo que tudo é uma grande mentira. Mas a realidade é mesmo esta, apesar de saber que não há nada que substitua, ironicamente falando, a verdade de cada piloto.

Sinto falta de alguns Ayrton Sennas por aí. Cabra conhecedor de negócios, fazia com que a equipe trabalhasse para ele, e não ele para ela. Isso sim não é mentira.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

ALGUMAS COISAS FICARAM NO AR

Algumas coisas na vida passam e ficam sem boas explicações.

Uma notícia como ESTA AQUI eu não costumo colocar neste blog, já que eu não tenho nada a ver com a vida particular de cada piloto, cada assessor de imprensa ou cada empresário deles.


Porém refrescando a memória, Hélio Castro Neves tivera há anos atrás alguns "probleminhas" com Emerson Fittipaldi. E não sei não se alguma coisa entre eles está relacionada a este dado que li hoje no TERRA.

Espiem e passem as opiniões (ou descobertas)...

Outro link interessante é ESTE, retirado do blog do jornalista Fábio Seixas. Nele, a documentação oficial do bagulho.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

ALONSO CORRENDO POR PIZZA

Semana passada, terminei um livro chamado Jogando por Pizza, de John Grisham, um excelente autor norte-americano que já viu suas idéias serem transformadas em filmes como O Cliente, A Firma, etc...

Neste, ocorre a estória de um jogador de “football” americano que se dá mal, afunda seu time nos Estados Unidos e consegue corrigir os efeitos negativos da alma conhecendo, através de seu manager (que, aliás o despacha como cliente), o mesmo football, porém este, jogado na Itália.

Ali ele conheceu jogadores que, além de mal pagos, se enfrentavam nos campos com prazeres diferentes, com intuito mais esportivo do que contratos e negócios. No final de cada jogo (principalmente quando a vitória era alcançada), uma noite de pizzas e cervejas brindava a felicidade do Parma Phanters.

O livro é pequeno, a estória é bem legal e eu adorei. E olha que existe mesmo football americano lá na terrinha!

Não que Alonso tenha afundado a Minardi quando estreou na Fórmula 1, mas este livro, que conta a recuperação e a volta por cima de um esportista fez-me lembrar o piloto espanhol, qual já disse por aqui que não vou com a cara.

Vamos aos fatos:

Minardi 2001 – Companheiro de Tarso Marques, seus resultados não foram expressivos, porém me parece que já havia um contratinho bem guardado com a Renault... afinal, negócios são negócios.

Test Drive Renault 2002 – Sumiu do mapa para conhecer melhor a equipe e o carro.

Renault 2003 – Pole-position e vitória na Hungria, tornando-se o piloto mais jovem da história da Fórmula 1 a vencer um GP. Começava, então, a moral do cidadão.

Renault 2004 – Nada demais, além de três pódios e nenhuma vitória.

Renault 2005 – Campeão do mundo com glória e um carro de assustar. Quem não se lembra das largadas “mágicas” dos dois carros azuis do grid?

Renault 2006 – Título sem méritos. Quem merecia mesmo era o Schumacher, que “cagou” em Hungaroring, o mesmo circuito onde Alonso venceu pela primeira vez na categoria.

Mclaren 2007 – Contrato mágico com o time inglês. Porém outro Hamilton roubou a cena e a Mclaren cagou gostoso no campeonato, aprontando a “sacada” de inventar que o piloto inglês errara no GP Brasil para dar o título à Raikkonnen.

2008 – A volta por cima. Cruel e insatisfeito, rompeu com a Mclaren de forma meio grotesca e voltou aos braços de Briatore.

2009 – Ali, ainda aguardando um contratinho (se é que já não está assinado) com a Ferrari.

2010 – Título, ou carreira encerrada. Correndo, literalmente, por pizza.

Resumo da ópera: Gosto de pilotos assim, compenetrados naquilo que faz. Ele é bom, todo mundo sabe disso, porém continuo não gostando dele...

Eu já contei aqui a história dele com uma garotinha em um posto de gasolina de São Paulo? ... Fiquem então na expectativa de um novo post.

Editora Rocco