segunda-feira, 8 de março de 2010

FALTOU FÁBULA

Tudo bem que o filme Guerra ao Terror espremeu os orçamentos de forma colossal antes de chegar a concorrência do melhor filme. Tudo bem também que uma mulher dirigiu e que a Academia dava entender que levaria a estátua dourada. Mas um filme que mais uma vez defende as tropas americanas numa guerra sem fim que ocorre do outro lado do mundo vencer o maior prêmio do cinema mundial foi, de certa forma, uma mentira chata e triste.

Chata porque cansou ver americanos chorarem por americanos que adoram morrer em guerras como esta e triste porque Avatar, pelo menos, apresenta um pouco de fábula e carisma com um mundo inventado, colorido e 3D.

Não gostei do resultado.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

OUTROS TEMPOS

Hoje recebi um comunicado de imprensa com a foto de um piloto que há muito tempo não tinha notícias.

Suas aparições sempre foram constantes, mas nada de assessoria de imprensa por trás depois dos bons tempos ainda cravados em minhas lembranças, quando ainda era amador nas pistas e forçava entender a postura das coisas e do jornalismo sujo e ingrato que rola atrás dos boxes.

André Nicastro sempre foi, a meu ver, um talento desperdiçado. Sua perfeição no kartismo e suas poucas arriscadas de pular para o outro lado o prenderam em um só nicho.

Lembro-me que ele e outros camaradas da turma de minha época amadora decidiram acelerar alguns modelos da antiga Fórmula Chevrolet logo depois que a marca anunciava terminar o campeonato que praticava corridas preliminares as provas de Stock Car, em que o tempo estranhamente claro de público pequeno, porém sempre pagante, gostava mesmo era de ver os Ômegas brutamontes.

Outra boa lembrança foi vê-lo ao lado da “tiazinha” que depilava a garotada no programa do Luciano Huck quando ainda era na Band (era lá mesmo??) E ele parece ter sido a vítima naquela gravação.

De lá pra cá, só leio seu nome em pequenos artigos com resultados, além da participação constante na anual 500 Milhas de Kart.

Os pais se separaram – se estou certo na lembrança – e o piloto carioca ficou na dele, acelerando. E de alguma forma ainda não muito bem traduzida, não engrenou em uma carreira.

Porém sua competência ainda deve fazer a diferença aqueles com quem divide o grid.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

VALEU A ENTREVISTA

Há tempos venho querendo colocar um post sobre a Lotus, que quase todas as semanas encaminha para minha caixa de entrada e-mails estranhos com o ar da graça escondido na manga com nome de Fórmula 1.

Entre o mês de Dezembro até agora, recebi uma porrada de notas com notícias sobre visitantes ilustres que deram uma passadinha na fábrica da marca. Entre eles Martin Brundle, Kovalainen – contratado para o novo time - e outros que não fiz questão de guardar mensagem. A ligação entre eles (os pilotos) e a marca tem sempre a mesma pauta. Ou seja, uma visita a fábrica de carros de rua e ponto final.

Mas na noite de ontem recebi uma nova notícia. Agora, com carro na pista e foto para provar. Mas nada de Fórmula 1... Jarno Trulli foi pra pista de Snetterton para testar e iniciar o desenvolvimento prático do novo Evora, que participará - pelo que entendi - de campeonato interno da marca, a Evora Cup.

Este mesmo carro da foto acima estará a venda aos pilotos de GT4 pelo preço de 120.000 Libras, isento de impostos. Já para a versão de provas sprint, com a especificação do carro para corridas de endurance, seu custo sobe para 150.000 Libras. O projeto final,será apresentado no Salão Automóvel de Genebra, em março deste ano.

A entrevista: Para quem ainda não leu, este blog foi o responsável pela primeira entrevista exclusiva com o CEO da Lotus F1 antes mesmo de seu nome ser anunciado oficialmente pela FIA.

uma olhada aqui.

PARAFERNÁLIA E MUITO... MUITO DINHEIRO

Comprei nesta quinta-feira passada o original de Labirinto, produção dos anos 80 com a participação de David Bowie.

Legal rever as cenas, ouvir as músicas e voltar à infância da qual me lembro muito bem ter assistido o VHS por algumas vezes através da vontade de minha irmã.

Mas o que mais me chamou atenção foi o disco extra que veio com ele. O tal Making-Off do negócio é assustadoramente interessante. Cenas perigosas, montagens reais dos monstrinhos (marionetes e corpo inteiro com atores sufocados dentro de cada um deles), toneladas de ferro, aço e fios, além de um custo visualmente absurdo perante as novas táticas tecnológicas que hoje são trabalhados os efeitos especiais no cinema.

A história do Avatar, como exemplo, nada ali é real de verdade. Melhor dizendo, só os atores. Quase tudo nas filmagens foi produzido em uma tela de computador, como estamos cansados de saber. E a sensação de realidade, apesar da prática 3D funcionar muito bem, terá eternamente sua cláusula de invenção.

Já filmes como Labirinto, o que foi gravado existiu. Só não entendo porque a indústria do cinema engloba maior contagem de dólares nos últimos tempos quando o custo para filmagens é, de fato, gritantemente menor.

O esporte também passou por esta interessante incoerência financeira. E o automobilismo talvez seja a maior aberração neste quesito. Afinal, desenvolver um carro nas telas parece ser mais fácil e muito mais produtivo. Mas os salários, daqueles que apertam os botões, cresceram de tal forma que nem sempre existe a chance de concretizar o fato.

Dinheiro... sempre ele para atrapalhar.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

3X SAUBER

Tenho uma amiga que mora nas Suíça há pelo menos 22 anos. Ele conta histórias bem bacanas sobre automobilismo e sua experiência pessoal com Ayrton Senna um ano antes de sua morte.

No começo de 1993, o mesmo ano em que ela conheceu Senna na Hungria, fomos juntos assistir o GP Brasil aqui em Interlagos. Evidente que minha experiência foi incrível ao ver ele dar a volta por cima em uma prova praticamente perdida, ultrapassar Hill com uma aula de talento e sobreviver a tempestade que levei na cabeça sentado no setor descoberto do circuito.

Mas sem saber por que, uma coisa ficou cravada naquele fim de semana. Pra ser sincero, eu acabava de dar meus primeiros passos nesta coisa toda e não sabia nem mesmo quem era quem. Mas me chamou atenção um carro preto, sem patrocinador, com o símbolo da Mercedes-Benz na carenagem traseira. Também me chamou atenção aquele capacete amarelo do austríaco Karl Wendlinger que levava um coice por trás da inércia quando o carro começava a frear para a entrada da curva do lago.

Mas voltando a minha amiga, naqueles dias ela mencionou o nome de Peter Sauber, um tal suíço. Ali então entendi que a nova equipe era do país onde ela morava... Sei que isso não tem nada a ver, mas pensem: Quantos suíços entraram na Fórmula 1? Lembro de um piloto que correu no final dos anos 80 e outros poucos nomes que participaram da categoria. Mas ver uma equipe desta nacionalidade nascer, foi, não sei porque, interessante.

Mais interessante ainda é que ela (a equipe) e ele (o dono) voltaram. E com a mesma pergunta: Quem vai botar dinheiro ali? Só mudou a cor, do preto para o branco.

Marcas deixadas: O time contou com Raikkonnen, Massa, Villeneuve e outros nomes precisos. Contou também com a lembrança entre os piores acidentes da história da Fórmula 1 - Kubica em 2007 – quando os carros eram notados “fortes” BMW. Até que andaram, mas a marca não resistiu no bolso. Então Peter voltou.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

PARINDO E INVESTINDO

Então... como nasce um carro de competição? Acho que, de certo modo, além da natureza revolucionária da tecnologia e da criação, nasce assim... na cabeça de alguém que põe lá toda a coisa na tela do computador.

Recebi os comunicados da Virgin Racing e de seu assessor Tracy Novak - um cara que há tempos troco algumas idéias – alguma coisa relevando a inédita forma em que o carro fora desenvolvido. Tudo muito virtual, como é também o simulador incrível que a equipe treina seus pilotos, mas que não houve, até agora, uma abertura para entrevistas com o criador.

O legal de tudo isso foi ver seu batismo na pista. Hoje, quinta-feira, o carro foi para o circuito pela primeira vez. Muitos fotógrafos, como podem ver na foto, e muita chamativa. Afinal de contas, o Richard, aquele camarada que nunca descansa, faz as coisas acontecerem pra valer.

A imagem me fez lembrar-se de uma matéria que tenho aqui em uma revista exclusiva da Toyota, quando o carro da ex equipe estreou o seu primeiro check-down.

Muito burburinho, a famosa frase “ele anda!” e nada mais. Morreu com o sonho de ser feliz na Fórmula 1.

Que a Virgin não me venha com essas de nadar, nadar e falecer tristemente. Até porque, como já disse algumas dezenas de vezes aqui neste blog que quase ninguém lê, fabricar competição não é para quem fabrica produtos, ou carros de rua. Cosworth, Dallara e Cia serão bem vindas de volta. E porque não uma Virgin só para temperar aquilo que mexe com a emoção de quem assiste?

Definitivamente o carro não chama as atenções. Mas acredito que nenhuma equipe será vista com tantos bons olhos investidores como esta aí. ----- QUEM SERÁ O ANÔNIMO? O leitor que deixou o comentário no post anterior tem razão... O acidente foi mesmo em Surfer´s Paradise.