sexta-feira, 29 de maio de 2009

RECLAMAÇÃO INCOERENTE

JPS - Ontem conversei com um amigo que se mudou para Bauru a fim de abrir um negócio, que mais tarde tornaram-se dois negócios. E apesar do cara nunca mais aparecer por aqui e dar um abraço “nos pobres”, ás vezes, quando dou sorte, o encontro na Internet.

Estávamos então comentando sobre nossos estranhos cafés da manhã regados com cerveja e bolinhos de carne, fritos provavelmente num óleo bastante insuportável para quem administra melhor a saúde hoje em dia. Pois trabalhávamos juntos durante a madrugada para depois se divertir, juntos, nas manhãs aceleradas que acontecem todos os dias em frente ao aeroporto de Congonhas aqui em São Paulo, onde a cada 1 ou dois minutos, descia um avião sobre nossas cabeças.

“No olho do furacão” disse ele, ao recordar aqueles momentos de saudade que trás de uma cidade grande depois que se mudou, investiu conhecimento e grana, mas entendeu que não há nada mais próximo de São Paulo neste país. Negativamente, ás vezes, e positivamente no sentido do fazer acontacer e ter resultados programados para a hora certa.

Mencionei tudo isso por li ontem a noite que os moradores de uma cidade de nome bastante estranho (Cambridgeshire), na Inglaterra, andaram reclamando do barulho que a Renault andou fazendo no aeroporto vizinho.

Serão oito dias de testes, segundo Steve Nielsen, gerente da Renault. E o pessoal terá de suportar, pois afinal de contas, o lado incoerente disso tudo é ouvir aviões numa boa e descartar os ouvidos para um motorzinho de nada só por oito dias!

Europeus são chatos e os ingleses, apesar de morarem numa terra que o mundo inteiro que pisar, ganhar dinheiro e conhecimentos gerais, são ainda mais terríveis.

Por aqui, uma construção com bates taca em um buraco aberto para as novas linhas do metrô não agradam, mas o povo baixa a cabeça com certa coerência...Coisas de um mundo diferente, que não merece julgamento.

A única estranheza foi saber que a Renault está testando seus carros, o que está claro ser proibido na Fórmula 1 a partir deste ano. Mas testes em linha reta, como este que atormenta alguns ingleses, parece ser livre ou estou enganado?

Por falar em aeroporto, vejam vocês o que encontramos quando abrimos o site da antiga GPMasters, que prometia dar muito certo mas acabou acontecendo alguma coisa estranha e sem explicações sobre seu fim. A foto sem dúvida foi feita em um aeroporto com os carros da competição, mas sem link de acesso para algum lugar, além de um pequeno campo inferior onde só aquele que sabe o que está acontecendo podem entrar.

Muito estranho...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

FICOU MARCADO

JPS - A primeira vez que vi Helio Castro Neves correr foi em uma etapa da Fórmula 3 Sul-americana, em Interlagos, em companhia de um primo que hoje mora em Minas Gerais, numa cidadezinha bem pequena que amanhã pela manhã devo visitar em um bate-volta. Ele, que também me acompanhou na primeira vez que pisei em Interlagos, é daqueles caras que ninguém tem nada negativo a dizer. Quieto, trabalhador e um rapaz gente fina pra caramba. A única nota zero que ele merece levar é não se cuidar como devia. Suas doses de Coca-Cola diárias assustam e não há ninguém que freie o rapaz neste vício delicioso que leva a morte e a largura de um corpo cada vez mais.

Mas voltando a falar de Hélio, lá estava ele, compartilhando o grid do circuito paulista com alguns estranhos que não deram sorte na vida e outros nomes que mais tarde todo mundo ia ouvir falar, com Cristiano da Matta e companhia.Foi naquele domingo que também vi, pela primeira e única vez, alguém acertar a divisão de muro entre linha de box e pista, depois que o circuito começou a secar, formar o trilho e não contribuir com quem vinha desprevenido em sua entrada ainda bastante úmida.


Hélio, anos mais tarde, virou Hélinho. Mas virou também símbolo de uma geração que o Brasil deu valor, através das transmissões da Indy Lights pelo SBT, na companhia de coberturas amplas que a emissora aplicava com a turma da Marlboro Brazilian Team, que contava também com Tony Kanaan e mais alguém por ali.Hélio, antes mesmo de “subir” para a antiga Fórmula Mundial, já era quase ídolo, empatando seu carisma com Tony Kanaan, por quem eu sempre tive muito respeito e um certo tom de torcedor.


No caminho da vida de jornalista que segui fez-me conhecer ambos em situações diferentes. Até o dia em que no evento promovido pela Revista Racing dei início a um bate-papo (literalmente) com ambos, juntos, e suas devidas esposas. Percebi ali que o “ar” da Indy parecia ser mais puro e menos estranho que o da Fórmula 1.


Mas o tempo passou, Hélio ganhou mais que Tony (apesar do título do piloto baiano ter soado com muito orgulho), e as coisas foram mudando, até o momento do choque crucial da imagem dele para nós jornalistas, nós torcedores e nós brasileiros.


Seja lá o que ficou decidido pela justiça norte-americana, sua vitória ontem em Indianápolis foi, sem dúvida, a melhor imagem do ano até o momento.

O MURO MOLE: Se existe criatividade na segurança e tecnologia dos carros, nada foi mais original do que esta criação aí em cima, o famoso muro mole. Não é de hoje que o negócio existe. Mas o efeito diferente que ele dá ás corridas em circuitos ovais é bastante interessante e, literalmente, seguro.

DUAS VERDADES, UM CAMPEÃO

JPS - Comentei em algum post recente que pilotos como Jacques Villeneuve faziam falta na Fórmula 1. E é fato que realmente fazem, porque falar o que pensa na posição de personagem principal de uma corrida de carros, ou seja, o piloto, está cada vez mais raro.

O interessante é ver que algumas raízes não mudam conforme o tempo. E ainda mais agora, prestes a deixar para trás a equipe Renault e ir para não sei onde, é que Nelson Ângelo Piquet tem nas mãos e na boca sua verdadeira identidade.

Ouvi alguém dizer pouco antes da largada da prova monegasca que o piloto brasileiro foi o único que respondeu aquilo que todo mundo sabe, mas devido ao teatro milionário há crenças de enganação. Ou seja, toda essa bobagem de equipe fica ou equipe sai não passa de uma jogada clara dos times e sua associação FOTA com a federação do negócio todo, a FIA, no sentido claro de que a primeira quer sugar mais dinheiro da segunda.

Logo, são apenas duas únicas verdades que estão á tona. A primeira é a morte definitiva da Kers para 2010. A outra é que tem mesmo gente interessada em ingressar na categoria mor, como já anunciadas inscrições da equipe Campos e o “tiro” norte-americano USF1e, que estreará com a promessa de retorno da Cosword na Fórmula 1 e as esperanças de Danica Patrick morando na Europa.

Já a Lola alguém ouviu dizer, algum estranho divulgou, parece mesmo ser fato, mas até agora nenhum lance oficial.

Mas tudo isso não balança a emoção focada de Jenson Button, o rapaz que pulou do kart para a Fórmula 3 inglesa e de repente apareceu na Fórmula 1 no lugar de Antonio Pizzonia como suposto estreante (uma quase promessa pré-anunciada pela Williams) anos atrás.

A Williams acertou, a Renault tentou, a Honda apostou e o circuito de Mônaco viu o rapaz se perder em um treino livre na saída do túnel e apresentar um dos mais fortes acidentes da Fórmula 1 quando piloto da BAR. Mas quem venceu, por fim, foi Ross Brawn e a aposta do próprio piloto, que mostra para todo mortal que ser positivo e feliz faz toda diferença. -- A foto acima mostra ele no Rio de Janeiro, quando visitou a Stock-Car por aqui em um evento patrocinado.

Competência assim comparada a três nomes singulares de destaque durante o GP de Monte Carlo: Felipe Massa, Sebastian Vettel e Lewis Hamilton.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

VAI SER BOM

JPS - Não foi apenas uma, nem duas ou três vezes que mencionei por aqui que a crise mundial seria muito bem vinda para o automobilismo.

Primeiro foi a Cosworth dar as caras com a provável composição os carros da USF1 ano que vem. Agora aparece a Lola, um nome pra lá de histórico, tradicional e forte que voltará “oficialmente” a categoria em 2010.

Aliás, a Lola faz parte da minha história quando apenas espectador nas arquibancadas de Interlagos, em 1993. Com o motor Ferrari V12 instalado naquele carro laranja, senti pela primeira vez o ronco de um modelo Fórmula 1 na minha frente. Já o piloto, ou era Alboreto (foto) ou seu companheiro qual não me lembro agora.

O teto orçamentário, que está sendo discutido hoje (sexta-feira) sobre votos de algumas desistências anunciadas, incluindo Ferrari e Renault, que deixariam a Fórmula 1 se o limite fosse o de R$ 130 milhões por temporada, pode mesmo balançar algumas cadeiras por ali.

Acreditando na coerência, talvez o teto seja um pouquinho mais alto. Mesmo assim, a Ferrari fará mesmo falta por ali? Pois a quebra de uma tradição nunca é muito “legal”, principalmente para os torcedores e gente chata que acha que tudo deve ficar como está.

Mas para quem quer ver e sentir automobilismo, de fato, com Ferrari ou sem, haverá enfim corridas de marcas respeitadíssimas que ficaram para trás depois que as montadoras engoliram o esporte e agora, engolidas pela crise, estão mostrando seus anus doces ao mundo.

domingo, 10 de maio de 2009

CHATO E CONSTRANGEDOR

JPS - Dizer, mais uma vez, que Felipe Massa não andou bem em mais etapa do Mundial de Fórmula 1 seria ridículo. Ele fez sua parte e a Ferrari ainda não se acertou. E não dá mais tempo para correções e pensamentos estranhos sobre vitórias mágicas este ano. Título, então, melhor esquecer antes de novas frustrações.

Mas o fato verdadeiramente constrangedor foi ver, mais uma vez, Rubens Barrichello sem aquele punho que alguns telespectadores sentados em seu sofá da sala ainda acreditavam ver.

Decidir o número de paradas e o que fazer durante a prova não pode ser decisões concluídas por um só homem ou uma equipe que tem, no comando do carro, um piloto.

A frase de Button logo após a bandeirada, mencionando pelo rádio um “sinto muito pelo Rubens”, foi uma píada. Nada contra o inglês, que merece, sim, o título. Mas as coisas já ficaram bem claras após a prova espanhola. Ou seja, acabou Barrichello.

- A coletiva e os erros da imprensa nacional -

Acabei de ler que a “nova” estratégia de Jenson Button foi uma surpresa para Barrichello. Mas como todo mundo sabe, viu e sentiu, não foi uma surpresa, mas uma forma de fazer o futuro campeão vencer de novo.

E a única coisa coerente mencionada por Rubens nesta manhã de domingo foi dizer que está sob pressão. Sim, isto é fato e dá para entender.

I DUE LATI DI LA MONETA

JPS - Se Fernando Alonso continuar tentando ser o bad boy na Fórmula 1, apesar de toda sua credibilidade e quase já anunciado como piloto da Ferrari para 2010 ou 2011, as coisas podem mudar, mesmo que seu contrato já tenha sido assinado.

Não há como julgar a manobra feita pelo piloto espanhol na largada, que contribuiu com o acidente que assustou alguns presentes ali pertinho – uma cena que adoro ver porque ninguém, naquele momento, leva um susto danado e sente, na alma, que aquela brincadeira pode machucar... coisas para homens de verdade.

Mas a tentativa de ultrapassagem sobre Vettel voltas depois, colocando seu carro na grama e apresentando aos seus torcedores uma coisa chata que é fazer aparecer sua imagem – se não bastasse uma torcida gigante nas arquibancadas – foi abuso.

De qualquer maneira, vale algumas análises preliminares ás mudanças definitivas de “quem vai para onde”.

Alonso na Ferrari é sinônimo de Felipe fora da equipe italiana. Já Raikkonen é carta fora do baralho, pois não há quem veja o rapaz dentro da categoria ano que vem, a não ser que seu contrato seja cumprido através da autonomia e decisões internas. Portanto, haverá uma vaga, em algum momento, para o segundo piloto do time. E esta, arrisco dizer dois nomes.

Adrian Sutil (foto) é um rapaz novo, com brilho de competência desde sua estréia e imagino que ficaria feliz com o cargo “defensor provisório”, manifestando a chance de ser alguém na categoria, já que seu companheiro não ficaria muito tempo por ali, com intuitos de aposentadoria em alguns anos. E sua escapada na largada deste domingo, abandonando metros depois com o acidente da primeira volta, mostram que se houver atraso para a grande chance do garoto, as coisas podem se complicar e este será, mais um entre tantos outros pilotos, que se apagam sem querer e sozinhos na Fórmula 1.

Já os outros dois nomes, pesam o pensamento. Kubika e Vettel talvez não aceitariam o cargo, a não ser que das duas, uma: Ou para dividir os boxes juntos, ou com um contrato de informações claras sobre o up-grade para número um do time em, no máximo, dois anos pós estréia.

Lembrando que Vettel tem um empurrão de Schumacher. E, não sei porque, já consigo enxergá-lo por ali.